XIX Putz Filme a Filme

Solta a vinheta:

E foi realizado o XIX Putz. Mas foi estranho, quase clandestino, reduzido, esquálido. Apenas seis filmes foram exibidos (era para ser sete), um recorde negativo. Sinto falar isso, mas o evento precisa de um fôlego novo, de um fato novo, ou corre o risco de perder relevância. Mudar ou mudar de vez, diria o Vanucci.

A disciplina correspondente, que mudou de nome e eu não vou acertar, produziu 13 curtas nem tão curtos. Seis deles foram vetados por excesso de tamanho. E teve vídeo que ficou de fora porque copiaram para o pendrive o atalho ao invés do vídeo (no tempo do VHS não tinha isso). Note que o professor responsável jogou 20 minutos de teto para os vídeos. A estratégia a ser adotada? Baixa para 10 minutos que pouca gente vai passar disso.

O lance é não precisar fazer roteiro intrincado e nem contar histórias inteiras. Fragmentos resolvem. É um curta, não a Trilogia do Senhor dos Anais Anéis. Com o tempo e a experiência, os marinheiros de primeira viagem verão também que muitas cenas podem ser cortadas ou encurtadas. Aí ganha-se em agilidade e ritmo.

Uma coisa a se elogiar, não sei se pela linha de corte dos exibidos, ou se foi batido bem na tecla é que não houve nenhum problema de captação de áudio. No máximo, pequenos e sutis erros de sincronia de voz em alguns vídeos, mas isso é algo que se pega com o tempo e, para primeiros trabalhos, foi excelente.

Não houve decoração alguma. Não que tenha o que se fazer muito com o atual modo do auditório, mas nada, nem cartaz. Isso explica ter chamado de praticamente clandestino. Não tinha marca, nem tema, nem nome oficial, nada. A impressão que poucas pessoas se propuseram a fazer coisas na semana, ficaram sobrecarregados em várias coisas e pouco conseguiu ser feito com relação ao Putz.

O evento foi tão clandestino que em uma imagem jogada num grupo tinha uma faixa de horário, 18 horas. O horário real era 18h30. E começou por volta de 18h45 com pouco público que foi crescendo aos poucos. Não tinha programa (coisa que não vejo há anos) impresso.

A quantidade de categorias também foi esquálida, raquítica: roteiro, edição, fotografia, ator, atriz, ai me fode e “melhor putz” (cuma?). Teve filme que não foi exibido por problemas técnicos sendo premiado em uma das categorias (Jovens! Façam backups e testem as coisas com boa antecedência. Hoje tem trocentos modos de salvar as coisas como drives nas nuvens e até mesmo dentro do e-mail). Não tinha de melhor filme trash (e tinha filme merecedor), não tinha escolha da audiência. Os anos anteriores mais recentes conseguiram matar a escolha da audiência com o ridículo sistema de definir em quem faz mais barulho (não era confiável nem no Clube da Criança na Rede Manchete) e a categoria desapareceu, perdeu relevância. Não é tão caro imprimir cédulas, apurar, contar, coisa de alguns minutos. Foi tão corrido que ninguém gritou por “vinhada”. Isso que viemos de anos que foram ágeis.

A organização ficou de passar uma playlist com todos os filmes, inclusive os que não foram exibidos. Caso apareça aqui, é que a playlist chegou (não está na ordem de exibição). Caso não esteja aparecendo aqui, volte mais tarde. Analisaremos apenas os filmes exibidos, isto é, apenas seis:

1 – A POC do Banheiro

Uma referência curiosa ao clássico A Loira do Banheiro (2002/3, não o remake mais recente). Filme de duração próxima do ideal, um trash que merecia o prêmio de Melhor Filme Trash. Talvez fosse meu voto na Escolha da Audiência. Roteiro debochado, pegou o espírito da coisa.

2- Curta Curitiba

Ironicamente, o diretor de Dançando na Chuva morreu neste sábado. Faltou Titanic (2001/2) é algo tanto no imaginário das pessoas que as colagens de filmes ainda são uma tendência. Vem em ondas, aumenta, diminui, parece que some e vem em tsunami. Neste caso, foi com relação a musicais e Curitiba. Acho que pecou um pouco em ficar muito longo, aí fica cansativo, embora a saída de final seja até a contento.

3- Crossovers Nobody Asked For – Parte II

Como assim Parte II, produção. Precisa explicar que havia uma parte I entre os filmes vetados. Aparentemente sem prejuízo para o entendimento. E o Faltou Titanic mais uma vez como referência. Aqui as colagens são com Alice No País das Maravilhas e o Iluminado, entre outros. Boa cenografia, parte técnica afiada, ritmo bom e levada lisérgica. Boa execução, mas sempre é possível dar aquele passo a mais.

4- Que Pìra Foi Essa?

Filme com bons ângulos. Boa atuação do casal gay protagonista. Boa sacada com o pão como se fosse dorgas. Fotografia e cenografia, construção de cenários e mudanças de ambientes funcionaram bem. No fundo, a vibe era Faltou Titanic também, com referências e colagens de vários filmes. Talvez o pecado tenha sido se alongar demais. Vale lembrar que é curta, você não deve tentar contar a história do Ulisses do Joyce, nem do Guimarães, em poucos minutos.

5- Mudança de Hera

Trabalho de edição vale como destaque terem desligado alguns canais de cor para ressaltar o vermelho e os tons de cinza. Ainda mais por ser um filme num futuro indefinido entre uma utopia e uma distopia. O filme trabalha bem o lance da inversão dos papéis como um modo de criticar o machismo. Lembrem-se do titio Paulo Freire: “Quando a educação não é libertadora, o sonho do oprimido é virar opressor”. Boa construção de universo, boa duração de filme.

6- O Novo Filho do Brasil

Foi o que ganhou de melhor filme. Talvez meu voto de Escolha de Audiência (estava indeciso entre este e o primeiro). Pegou uma sacada do Lula preso tentando escolher sucessor, personagens caricatos mandando fitas de VHS (agora tinham fitas humpf!) como se fosse uma seleção de BBB e atá referências a memes. E uma brincadeira com rituais e estrelas. Boa duração, bom roteiro, uma ideia divertida.

Previsões aleatórias para 2019

É nosso tradicional post de análise de conjuntura e chutes para o ano que começa. Depois, no fim do ano, a gente, eu e minha modéstia, analisa os erros e acertos:

  • Governo federal tende a ter sequência de escândalos, incluindo aprofundamento dos que estão em curso. Executivo seguirá usando método de confronto com a imprensa como método de comunicação. Na hora que bater em um figurão, rolará uma devassa.
  • O ministério não chega ao meio do ano sem qualquer alteração.
  • Pelo menos dois incidentes diplomáticos acontecerão na conta do 4-chanceler.
  • Brasileirão não terá campeão inédito.
  • Libertadores terá pelo menos um time sem título entre os semifinalistas.
  • Aquela que a gente nunca erra e até copia de ano para ano: alguém do BBB fará ensaio sensual ou nu depois do programa.

Veja os anos anteriores:

2018 Previsões Análise

2017 Previsões Análise

2016 Previsões Análise

2015 Previsões Análise

2014 Previsões Análise

2013 Previsões Análise

2012 Previsões Análise

2011 Previsões Análise

2010 Previsões Análise

2009 Previsões Análise

2008 Previsões Análise

2007 Previsões Análise

2006 Previsões Análise

2005 Previsões Análise

2004 Previsões Análise

Analisando as previsões aleatórias para 2018

É tradição do blog analisar as previsões feitas em janeiro (inclusive copiando e colando o texto de cima do ano passado). Então:

  • As eleições presidenciais terão segundo turno. E infelizmente terá casos de violência entre ou contra cabos eleitorais, podendo inclusive dar morte. O uso de fake news pelos partidos será intenso de vários lados. Congresso será ligeiramente menos conservador que o eleito em 2014 por causa da crise e das polêmicas reformas que tiram direitos dos trabalhadores.

Acertei a primeira fase. Acertei a segunda quanto à violência, que chegou aos candidatos. O uso de fake news eu acertei, com direito a máquina profissional de partidos que venceram, isso dentro do conceito de Guerra Híbrida e aplicação de estudos russos de psicologia das massas. Sobre a composição do congresso, conseguiu ser mais conservador que o de 2014, por causa da onda de extrema direita que levou muitos candidatos que irão compor a bancada da bala.

  • As eleições no Paraná também terão segundo turno e serão tensas com briga voto a voto pela vaga no turno final.

Errei feio. Foi decidida no primeiro turno.

  • O Rio Grande do Sul seguirá sem reeleger governador.

Acertei. Rio Grande do Sul nunca reelege. Isso tem a ver com um estado que está quebrado há mais de 20 anos, simplificando bem a situação.

  • O Brasil tende a não sofrer nova goleada humilhante na Copa. No entanto, o título não será certeza, pois teremos França, Alemanha e Argentina como fortes concorrentes. Colômbia pode fazer novamente bom papel e o Egito pode surpreender e passar de fase. A Rússia terá dificuldades de passar de fase, se passar.

Não teve goleada humilhante, mas parou nas quartas. França foi a campeã, com Alemanha decepcionando e Argentina não indo tão longe. Colômbia fez uma Copa legal. Egito teve a lesão do Salah na final da Champions sabotando o desempenho de seu astro. Rússia surpreendeu e foi bem até as quartas com uma campanha digna e mostrando boas figuras.

  • Tendência do campeão brasileiro ser novamente um time que já tem título.

E difícil alguém sem título ganhar um campeonato que teve 16 campeões diferentes…

  • Aquela que a gente nunca erra: alguém do BBB fará ensaio sensual ou nu depois do programa.

Meti aquele Google maroto e vários posaram. Não tem erro.