XVII Putz filme a filme

Se o Putz fosse uma pessoa, teria mais ou menos a idade da atriz e modelo Willow Smith, nascida em 2000 (REUTERS/Benoit Tessier)

Se o Putz fosse uma pessoa, teria mais ou menos a idade da atriz e modelo Willow Smith, nascida em 2000 (REUTERS/Benoit Tessier)

Chegamos à edição XVII. Se você não entendeu isso, não irá entender a piada do romano que foi ao bar, ergueu dois dedos da mesma mão e pediu “Me vê cinco cervejas”. Mas chegamos à edição XVII do Putz na noite da última sexta-feira (24), com gente querendo carnavalizar antes da hora merecidamente.

A primeira edição do Putz, sigla para Prêmio Universitário Trash Zé do Caixão, foi em 2000, a única que não vi, sendo realizada ainda no ano letivo da turma dos calouros daquele ano. A partir de 2002, os calouros do ano anterior passaram a apresentar o festival como abertura de semestre na Comunicação Social da UFPR, o que acontece há 16 anos ininterruptos. O festival chegou a ter por alguns anos um filho nacional, o PUTZ (Putzão para os íntimos), que era organizado em parceria entre a UFPR, outras faculdades de Curitiba e parceria com a Fundação Cultural, que cedeu espaços seus como a Cinemateca ou o Memorial da Cidade para os eventos. Isso é uma outra história e os estudantes de agora poderiam cantar quem organizou o Putzão naquelas épocas para ver se rola aquele retorno (cantando o caminho das pedras, pois os organizadores originais hoje estão espalhados por aí levando suas vidas), o que seria muito legal, tanto que temos vídeos neste ano que posso carimbar que não fariam feio em mostras nacionais.

Para quem não manja de bastidores, boa parte deste texto ficou pronto ainda no começo do mês, pois fui jurado pela terceira vez e pude ver os filmes de antemão. No entanto, algumas coisas serão adicionadas na data da publicação, pois são impressões do evento em si, além de algum insight que pode ter ocorrido durante a exibição pública, pois é comum filmes que funcionam bem no público ou que provoquem reações diferentes quando vistos sozinho ou em grupo.

O evento

Bizarramente, em momento algum usou-se 17.º ou XVII Putz. Isto é, pareceu faltar a noção de continuidade. O público foi razoável, entre os menores da história, muito por culpa da véspera de feriado (deve ter sido a segunda vez que isso aconteceu).

Na atual configuração do auditório, que agora carrega o nome do ex-professor das antigas João Féder (das antigas mesmo, pois nem aula com ele eu tive), não tem muito o que fazer com a decoração, logo, ficaram legais as bexigas roxas e brancas circundando o palco. Foi inteligente a retirada do tapete vermelho no meio, pois é liso demais e até sem o tapete o chão do auditório é um sabão de liso. Ponto para a segurança dos andantes.

O tema foi um fantasminha, que compareceu nas vinhetas (que ficaram boas, tirando algumas que quiseram romper o minuto) e no troféu. No entanto, não tivemos novamente programa físico, que seria uma boa lembrança e referência para os espectadores.

Do mesmo modo, manteve-se um equívoco da organização do ano passado: a escolha da audiência foi no grito. Pelo amor do Deus Repolho! Não deve custar muito imprimir umas folhas com os nomes dos filmes ou espaço para escrever e distribuir. Como são duas gerações vivendo de um equívoco, vou sugerir a logística para o ano que vem.

Uma equipe imprime e corta. Outra cuida de distribuir as cédulas na entrada ou ao fim dos filmes quando o apresentador sugere um intervalo de cinco minutos ou até menos antes da premiação. O palco pede para votar e até empresta canetas. Outra equipe recolhe e começa o trabalho forte que pode se estender durante o começo da programação: conta os votos em folhas com os nomes dos filmes (pode-se dividir em mais de uma parte os votos para agilizar), alguém totaliza e o resultado sai em poucos minutos. Se são teoricamente noventa pessoas que fizeram a disciplina, esse esforço de fim de Putz pode ser feito nem por dez pessoas que funciona. E deixa de favorecer quem passou no fim e tem mais gente vendo ou quem tem mais amigos ou equipe melhor no grito.

A ordem dos filmes passadas para os jurados foi diferente da exibição: acertaram passando o filme mais sério no começo e erraram botando os dois mais longos perto do fim e o mais longo como o último. Tem um efeito clássico das pessoas ficarem cansadas no fim, apesar do setlist bastante conciso na duração, que é assunto revisitado aqui para baixo.

Impressões gerais

Este ano, como fui jurado e a comissão organizadora não fez as coisas em cima da hora, deu tempo de entrar na brincadeira e fazer um vídeo de próprio punho com impressões gerais. Faltou elogiar que teve categoria Filme Trash e que poderia ter valido a pena, para resgatar edições antigas, que valeria um prêmio de Melhor Ator se Maquiando. E tem também a constatação que a opção pela comédia esteve longe de ser uma unanimidade com os filmes praticamente divididos meio a meio. (Só anotei quem ganhou os cinco prêmios de filmes)

Agora vamos a comentários sobre os filmes. Eram 12, mas um pediu para sair da mostra. Logo, restaram 11, contra 9 do ano passado.

1- P.U.T.A.

Um filme com temática séria. Acredito que, pela primeira vez em uns 17 anos de Putz, alguém fez um filme com mensagem sem soar professoral, ainda mais com um tema pesado como a violência contra a mulher e cultura do estupro. Usou muito bem a linguagem da dança e da publicidade, o que talvez soe dissonante e destoante na exibição. Foi um dos quatro filmes que destaquei. Teve meu voto de melhor participação especial (Bianca Ferreira).

2- Agonia na Floresta

 

Só oito minutos e pouco! Closes bem pensados, fotografia caprichada. Sonorização que parecia aparentemente inspirada na franquia Atividade Paranaormal, o que foi negado por uma das autoras. É um filme interno, porém é uma história universal. Vale considerar que o autor do roteiro leu o Chatô, pois há referência a uma passagem da biografia. A produção foi bem esmerada. Recebeu meu voto para melhor atriz (Jessica Skroch), melhor edição e menção honrosa de melhor filme (um dos quatro filmes que destaquei) (e ficou com a menção no fim das contas).

3- A Filha Sovina

Outro com menos de dez minutos! Boa, Bruno Stock! Usa linguagem de novelas mexicanas. Com sacada de comerciais. E com ligação com um seriado que não vou falar para não soltar spoiler, pois eu não sou Simtek. Recebeu meu voto de menção honrosa de Trash (e ficou com o prêmio).

 4- Amorphous

Só sete minutos e 19 segundos!!! Caramba! Novos tempos! Coisas complicadas: gravar movimentos rápidos de corrida com equipamento digital. Tecnicamente, pode ser considerado um filme perigoso de se fazer, pois, com o histórico de décadas de pancadas, é um perigo andar tão rente ao muro da “Tamburello”. Falando sério, é um filme com uma temática pesada com fatos recentes semelhantes, o que é de certo modo ousado. Teve meu voto em Melhor Trilha Sonora.

 5- A Inocente

Sete minutos apenas!? Os bons tempos voltaram! A captação ficou um pouco prejudicada na cena do corredor em algumas internas. Um característica interessante desta geração: o final não precisa ser fechado, o que é bola dentro.

6-De Pernas pro Ar

Também com sete minutos!! O filme será passado com tempo futuro (levando em conta a data da exibição). Um filme interno, mas com referências à narração de desenhos clássicos.

7- Não coma meu biscoito

É bolacha!!! O filme tem menos de cinco minutos e meio (outro ali também tem). É mais curto que a maior parte dos filmes exibidos em 2003, por exemplo. Houve uma boa conscientização que menos é mais. Um personagem no filme que é de Comunicação, fala um monte de signos, mas não é semioticista. Um trash mais perto do trash-raiz, do trash-arte, trash-moleque, trash-pipoco-esfaqueio-y-me-voy. Teve meu voto de Melhor Fome, Que Porra é Essa (o duende passeando pelo filme) e Melhor Trash.

8- 7 Pontos

Outro com oito minutos e pouco (será que esta geração foi mais sucinta na hora de contar história?). Um filme com cabeça no mundo e um argumento interessante. E uma boa dica: um roteiro de um curta e mesmo de um longa não precisa fechar todas as pontas da trama. É completamente apto a se inscrever em mostras externas de curtas. Recebeu meus votos de: melhor roteiro original, melhor ator (Guilherme Bonato) e melhor filme (sim, foi um dos quatro que destaquei).

9- Who Wanna get Rhay?

Formatos de reality show andam em voga… há uns 13 anos no Putz. Ritmo até acima da média para filmes de 12 minutos. Rolou um merchan desnecessauro. E um plot-twist talvez esperado para quem deve ter seguramente passado dos 150 curtas do Putz vistos.

10- Aaaaaaaaaaaaa

Abaixo dos dez minutos! Interessante como nossa geração é a geração das coisas por fazer nos atormentando, o que pega a temática de outro filme, mas com um viés menos imediatista. A fotografia não fica devendo para muito filme de circuito comercial. Poderia se inscrever em mostras nacionais, como outros três que destaquei. Teve meu voto como Ai me fode (pegação dos rapazes na festa) e Melhor Fotografia. Ganhou melhor filme pelo júri (o que carrega justiça por ser um dos que destaquei e não teve um dos meus votos de melhor filme por detalhe).

Como disse no vídeo, a temática do filme me levou para este som:

11- A Escolinha do Professor Dal Lari

Áudio bem complicado (um tanto irregular/colado), tendo aparentemente sido captado com gravador de celular, no entanto ficando bem artificial, parecendo colagens de discos independentes brasileiros dos anos 90 sem tanto orçamento. Paródia de Escolinha do Professor Raimundo. Ritmo do programa fica pesado para um curta. Dudu Nobre como Rolando Lero pareceu alguns furos acima do elenco assim com o Roni, o Brizola cruzado com Armando Volta. Boa sacada também, mas parece neste momento pouco para segurar o ritmo. Autorreferência ao julgador é complicado..hehehe… Teve meu voto para Melhor atuação inútil (Gabriel Muxfeldt). Ganhou como Melhor Trash e ganhou a escolha da audiência, surpreendentemente este último, confesso, talvez favorecido pela ordem de exibição (historicamente, ficar para o fim ajuda).

Previsões aleatórias para 2017

Longa tradição deste blog, as previsões aleatórias estão no ar. Vale repetir que “não é feitiçaria, apenas chutômetro, e algumas são bem óbvias”, isto é, levando-se em conta o momento. No fim do ano, irei analisar erros e acertos. Segue:

  • Pelo menos um participante de reality show irá fazer ensaio em trajes de recém-nascido (essa sempre acerto).
  • Ministério que começa o ano não termina o ano sem mudanças.
  • A situação nas prisões, com o atual ministro da Justiça, não se pacificará por atos do ministério. A única chance real de pacificação é por meio de acordo entre facções, o que parece meio distante agora que o desentendimento acabou de começar.
  • O governo seguirá instável.
  • No âmbito estadual do Paraná, uma denúncia se aprofundará e causará danos no comando, no mínimo derrubando gente próxima ao governador.
  • Campeonato Brasileiro não terá campeão inédito, mas Libertadores ou Copa do Brasil poderão ter. Um time que nunca classificou para a Libertadores irá para 2018.

Veja os anos anteriores:

2016 Previsões Análise

2015 Previsões Análise

2014 Previsões Análise

2013 Previsões Análise

2012 Previsões Análise

2011 Previsões Análise

2010 Previsões Análise

2009 Previsões Análise

2008 Previsões Análise

2007 Previsões Análise

2006 Previsões Análise

2005 Previsões Análise

2004 Previsões Análise

Analisando as previsões aleatórias para 2016

Como já é tradição deste blog (só ver lá embaixo), vamos avaliar todas as previsões aleatórias feitas no começo do ano. Se não entende, basta ler as anteriores para entender como funciona. Vamos lá:

 

  • Teremos segundo turnos nas eleições municipais de Curitiba, São Paulo e Porto Alegre.

Acerto em todas, menos São Paulo.

  • Terá partido elegendo vereador pela primeira vez em Curitiba.

Não sei quanto ao PTN, que fez dois vereadores, mas o PROS (cujo registro no TSE é de 2013, portanto estreaante na eleição municipal) elegeu Tico Kusma e o Solidariedade (mesmo caso) elegeu Katia dos Animais de Rua. Outro acerto.

  • Por outro lado, teremos pelo menos cinco veteranaços sendo reeleitos na capital dos paranaenses.

Sim. Tito Zeglin, um, Julieta Reis, dois, Sabino Picolo, três, Jairo Marcelino, quatro, Tico Kusma, cinco, Serginho do Posto, seis. Só para ficar em alguns.

  • Não teremos impeachment presidencial, mas a crise política irá pelo menos até o fim do primeiro semestre e poderá nacionalizar o discurso nas eleições municipais.

ERRRROOOOOOOOOOOOUUUUU… No entanto, podemos dizer que seguimos em crise política com direito a crise econômica se aprofundando. Em vários locais, o discurso foi nacionalizado sim.

  • Não teremos campeão inédito no Brasileirão.

Palmeiras saiu da fila, mas não é novidade.

  • Pelo menos um time com título brasileiro estará entre os rebaixados.

Olá, Internacional, disse a Série B.

  • A tal Copa América Centenário terá a bizarrice de ter poucos dirigentes no local.

Del Nero se chama Marco Polo, nome de um grande explorador dos sete mares, e não viaja (se pintar nos EUA, corre o risco de ser preso por causa do escândalo da Fifa).

  • Teremos uma surpresa chegando ao menos às semifinais da Eurocopa.

Olá, Islândia!

  • O Brasil ganhará uma medalha em um esporte que nunca tinha ganho.

Olá, Isaquias!

  • E para fechar, a de sempre: pelo menos um participante de reality show posará para revistas de trajes inexistentes.

Naquela busca marota, pelo menos dois ou três tiraram a roupa, apesar da derrocada das revistas de nudez. Internet kills the magazine star.

Veja os anos anteriores:

2016 Previsões Análise

2015 Previsões Análise

2014 Previsões Análise

2013 Previsões Análise

2012 Previsões Análise

2011 Previsões Análise

2010 Previsões Análise

2009 Previsões Análise

2008 Previsões Análise

2007 Previsões Análise

2006 Previsões Análise

2005 Previsões Análise

2004 Previsões Análise