OK… O nome oficial é “11º” com números ordinais e não com números romanos, porém, eu sou oldschool e sigo a nomenclatura original. O Prêmio Universitário Trash Zé do Caixão chegou à sua 11ª edição. Sabe o que isso significa? São duas respostas: a primeira é que o legado continua; a segunda é que eu estou velho, pois estive em todas as edições, desde a segunda (que foi na semana dos calouros em 2002 e foi a primeira feita numa semana dos calouros). Sem mais delongas, vou abrir o próximo parágrafo para dar visões gerais antes de entrar no filme a filme em si.
O programa foi bem feito. A evolução dos materiais gráficos foi algo a ser visto de um modo geral. A decoração, um desafio num auditório bem alterado com relação aos primeiros anos florestais, ficou legal. Houve um tema neste ano, coisa que não teve no ano passado e passou despercebido ao meu review. Uma boa tática usada para a pontualidade foi abrir a “porteira” perto do horário marcado, fazendo o povo já se assentar. Só achei engraçado o pessoal engatar uma quinta marcha na hora dos prêmios (ou minha vida que está passando rápido demais?).
O público desta quarta-feira (2), que parecia decepcionar no começo, ficou razoável. Longe de recordes do passado, até por ser numa quarta-feira, diferente de sextas-feiras tradicionais, e por ter esfriado no dia. Prova que (não liguem para o lado de não ser videoclipe, fixem-se no som):
Estava bem de categorias, só senti falta da de “Melhor Filme Segundo o Júri” (ou me passou batido). É elogiável ter Filme Trash (e não Cena Trash como em alguns anos), Atuação Inútil, Que Porra é Essa? e Ai me fode. Valeria ter neste ano, pelo conteúdo dos filmes, a categoria de “Melhor Cena de Ator Acordando”.
Em geral, achei que os filmes ficaram ou longos demais ou com ritmo lento (não cronometrei-os e nem sei qual era o limite neste ano). Para não cansar a audiência, como se verificou em alguns filmes, o ideal é economizar na duração da cena e amarrar bons roteiros e diferentes. Isso andou em falta. O número de fimes, nove, igualou o recorde negativo do ano anterior e as vinhetas seguiram dentro da temática proposta. Talvez a pressa de dar os prêmios tenha dado a sensação de “é agora e pronto”. Sem mais delongas, vamos ao que interessa:
Observação importante: os comentários são baseados na exibição no local. Alguns problemas podem não ter aparecido na versão postada aqui…
1 – Floresta Direta
É um caso de filme que ficou longo demais. O formato está longe de ser inédito (teve um Floresta News em anos anteriores?). Como boa parte dos filmes, a qualidade técnica esteve esmerada, talvez por causa da evolução dos equipamentos. O grupo preferiu apostar em clichês para a trilha sonora, o que pode ter valido para efeitos de humor.
2 – Cara, cadê meu Bráulio?
A primeira cena falada do filme teve um problema na captação do áudio perto da rua. No mais, uma boa surpresa. As atuações estiveram inspiradas dentro da proposta de exagero. Tem uma boa sacada com a representação de um professor. Além disso, tem personagens fantástiscos com o Panda Místico. Foi o vencedor da Escolha da Audiência. Podemos dizer que o “Bráulio” entrou para os anais ou estaremos violando a Lei de Gil (vide review do ano passado).
3 – Ela e Eu
Não deu liga. Ficou um tanto água com açúcar e pareceu não ter muito roteiro. Só queria saber a música que virou tema do filme. O resto é uma mostra de que tipo de filme que não funciona no putzinho, pois mesmo tendo um desfecho dramático, é algo que não vai impactar a plateia nem por decreto.
4 – Aí já complica a minha vida
Além de ter ficado muito longo e/ou arrastado, tratou de um tema clichê que é conquista, coisa abordada desde o Rê Virando a Noite da turma de 2002 (e que não deu nada certo). O segredo seria só apostar no clichê se fosse muito bem escrachado e muito bem feito. Não foi o caso.
5 – Chapeuzinho Colorido
Vou ter de começar com uma constatação anetódica: estou tão velho que, quando leio Pe Lanza, penso se tratar de um padre. Pareceu a intenção de repetir a estética do absurdo de Abílio Distraído. Aí volto a pensar no lance do tempo: qual era o limite? A história parece ter voltas demais. É bem produzido até quando se tem a intenção de ser trash, embora se perca um pouco na abundância de filmes que tratam a subversão dos contos de fada.
A propósito, prefiro estes coloridos:
Vai o link: http://www.youtube.com/watch?v=TxkMu8aNJDY, pois os porcos capitalistas da Sony Music desautorizaram a incorporação. Burros: é menos gente podendo conhecer a banda.
6 – Putz for Dummies
O metafilme já pode ser considerado um gênero a parte desde o Faltou Titanic da turma de 2001. É um gênero natimorto, cá entre nós. Mesmo assim e mesmo abusando das cenas de ator acordando, ele tem algumas boas sacadas como perseguições e a bala atirada pela arma.
7 – Um Dedo de Prosa
Era um filme que no íntimo teria vontade de fazer. Grandes sacadas sobre a teoria da perda da ponta de um dos dedos do Mário. Grandes sacadas com nomes de professores e personagens. Dá para apontar este e o Bráulio (ui!) como os grandes (ui!) filmes deste ano.
Para quem ainda não conhece o Mário, posto aqui em baixo uma pérola em baixíssima definição da tosqueira do anos 90 (e de minha adolescência):
8 – Porra, Dolores
O filme não é recomendado para quem tem labirintite. De certo modo, fez mais certo o que tentaram fazer com Ela e Eu. Pecaram um pouco na duração das cenas. De certo modo, lembrou um pouco este videoclipe abaixo:
Tem um mérito de ter uma excelente trilha sonora, que deixou esta música, uma de minhas favoritas, na minha cabeça:
9 – The Clipfather
Não sei se foi o fato de ser o último, mas ficou meio repetitivo as piadas com Bob Marley. A edição e a continuidade foi bem trabalhada, mas pecou no excesso de duração do filme e na captação de som das cenas dentro de salas. A ideia de trama ficaria melhor num filme que se propusesse a ser mais longo e não num curta que não permite muitas viradas.
Adendo – extremamente simpática a iniciativa da organização de dar os links dos filmes no dia seguinte. Refestelei-me com isto.
Veja também:Prêmio Rubens Mazza e Chuchu de Ouro 2011.
Eu não vou ao Putzinho há anos, mas achei bem engraçadinho… E não precisa lembrar do Revirando a noite… Hahaha.
Minha memória é um festival de arapucas…
Gostei demais do blog. vou salvar na minha lista de links. valeu.
Já assinei o teu…
Valeu por ter ido, Bona!
Ótimas críticas, acho que não tem ngm na Floresta a mais tempo que vc pra criticar e comentar os curtas do Putz! com mais conhecimento de causa! haha
Valeu, abraço!
Naquele auditório, eu era, junto com o Lucas, o mais antigo. Como ele não foi ver o II putzinho, eu era o mais rodado….
A seguir, um comentário por filme!
Comecemos:
Floresta Direta
Coerente.
É muito bom ver o tema trash abordado no formato “noticiário
sensacionalista”, que já é algo trash pela própria natureza.
A apresentadora poderia ser mais ao estilo Dalborga. Ia ser
interessante ver uma mulher nesse papel.
Pontos altos:
- Logo do programa.
- Chroma key mal feito.
- Mortes criativas
Pontos baixos:
- Piadinha sem graça no final.
Avaliação em uma frase:
Põe na tela
Cara, Cadê Meu Bráulio?
Inovador.
Geralmente os filmes que se passam no ambiente florestal mostram o
calouro do sexo masculino sofrendo bullying. Muito interessante ver a
caloura se dando mal.
Pontos altos:
- Atuação da caloura.
- Atuação do Pepa, da Pepa Filmes.
- Panda místico.
Pontos baixos:
- Dificuldade em fugir do contexto floresta.
Avaliação em uma frase:
Fazer uma continuação mostrando o que um calouro faria de mágica pra
sacanear as veteranas que não dão bola pra ele.
Ela e eu
Óxido nitroso.
Acho que o objetivo do filme era deixar o telespectador feliz e, logo
em seguida, deixá-lo chocado.
Não funcionou. No momento que era pra ficar chocado, o telespectador
ainda está tentando entender por qual motivo as imagens anteriores
eram tão piradas.
Pontos altos:
- Edição.
- Atuações.
- Ausência completa do tema “floresta”
Pontos baixos:
- Tentativa de ser um filme miguxo.
Avaliação em uma frase:
Se era pra zoar no começo, que jogassem o casal no lago do botânico!
Aí já complica a minha vida.
Previsível.
Na metade do filme o telespectador já sabe o que vai acontecer no
final. Mas isso não tira a expectativa de como vai acontecer.
Pontos altos:
- Sequencia de paqueradas culminando com o Mario.
- Os temas floresta, calouros e trote foram evitados.
Pontos baixos:
- As cenas são muito longas. Nos primeiros 15 segundos de cada música,
por exemplo, o telespectador já entendeu do que se trata. Não há a
necessidade de deixar a mesma coisa acontecendo mais tempo (na minha
humilde opinião de editor).
Avaliação em uma frase:
Reduz as cenas longas que fica bom.
Chapeuzinho colorido
Gozado.
O agrupamento de piadas na floresta (que não era o campus) sem um
contexto muito bem definido me lembrou vagamente o filme “Faltou
Titanic”, do Putzinho de 2002.
Pontos altos:
- Edição.
- Atuações.
Pontos baixos:
- Nem todos os telespectadores vão entender as referências / piadas.
Avaliação em uma frase:
Eu não entendi todas as piadas.
PUTZ for Dummies
Gostei
Há muito tempo eu insisto que o PUTZinho precisa de um filme que tire
sarro dos clichês dos filmes do próprio PUTZinho.
Esse é o filme que mais se aproxima disso.
Merecia uma continuação ao estilo tutorial de como fazer um filme pro PUTZ.
Pontos altos:
- Edição.
- Efeitos especiais.
- Leite na cara
Pontos baixos:
- Piadinha besta no final.
Avaliação em uma frase:
Estava faltando no PUTZinho.
Um Dedo de Prosa
Genial.
Eu sempre acreditei que esse tema seria melhor explorado em um documentário.
Mas eu estava enganado.
Esse é um filme especulativo, que encena algumas das prováveis
explicações para a ausência da falangeta. Ele prende a atenção do
telespectador e não perde o ritmo em nenhum momento.
Pontos altos:
- Atuação do cara que “influencia” o Mario a cortar o dedo no inicio do filme.
- Ambientação dos anos 80 (apesar de que, com a moda oitentista em
alta, não deve ter sido difícil de fazer).
- Atuação do próprio Mario (em sala de aula e no youtube)
Pontos baixos:
- A edição parece ter sido feita às pressas (em alguns momentos boa,
em outros ruim)
- Temas recorrentes em filmes do PUTZ (calouros – trote / gente
entediada em sala de aula)
Avaliação em uma frase:
Vale uma continuação.
Porra, Dolores!
Eu já sabia!
O filme começa num ritmo, perde esse ritmo, e recupera ele no final.
O telespectador já tem uma noção do que vai acontecer a partir da
metade do filme.
Maaaaassss, alguns detalhes técnicos acabam salvando esse material
audiovisual, podendo o mesmo ser usado como referência para
posteriores produções.
Listarei esses detalhes a seguir.
Pontos altos:
- Imagens (recomendo assistir o filme mais de uma vez, prestando
atenção somente nos enquadramentos).
- Edição (apesar de ter perdido ritmo).
- Som (muito bom, raramente ocorre no Putzinho)
Pontos baixos:
- Acaba caindo na categoria “já entendi” em vários momentos.
Avaliação em uma frase:
Falta investir mais em finais inesperados no cinema florestal.
The Clipfather
Eu achei que a Delma ia desaparecer também
Esse filme é sensacional. Cabe 100% na categoria “que porra é essa?”
Uma história criativa, envolvente e bizarra, que prende a atenção do
telespectador a cada segundo.
Apesar de tudo, o filme é coerente. Tem começo, meio e fim.
Pontos altos:
- Roteiro.
- Criatividade.
- Referências sonoras e visuais (ex: indiana jones).
Pontos baixos:
- Som muito ruim.
Avaliação em uma frase:
Que porra é essa?
Eduardo, quem eh o pepa? hahaha
E bona, agradeco os comentarios.. infelizmente os jurandos nao dao um feedback pros grupos.. legal saber mais ou menos os acertos e erros!
Acho que o Pepa é o protagonista do filme.
Um dia ainda vou lá ver os filmes do Putz! Mas… se vc acha que esta velho, Bona, imagina como EU me sinto…rssss